História da Gafieira - A Gafieira é o local onde tradicionalmente as classes mais humildes podiam frequentar para praticar a danças de casal (danças de salão). Não chegava a ser um clube e sim uma alternativa, para essas pessoas e pelo que consta a história as gafieiras sempre existiram no município do Rio de janeiro mas ao contrário como ensinam os institutos voltados a preservação do patrimônio histórico e cultural do Rio de Janeiro, a gafieira mais antiga do Rio de Janeiro não é a Estudantina, de propriedade do senhor Isidro , um esforçado português que na década de 1980 pretendia somente montar uma churrascaria nesse local mas que por excesso de exigências na obtenção de um simples alvará, desistiu do oneroso investimento e como não havia o que fazer, aproveitou a instalação e montou uma casa de samba, essa logo tornou-se a mais famosa em função da localização e também por ter acontecido no ressurgir dessa atividade esquecida com o fim da vida noturna , o Seu Isidro, além de ter ali recebido milhares de dançarinos no salão da ex churrascaria ainda hoje é um local aberto ao publico e a quem quiser fazer uma visita ao passado e apreciando a decoração dessa churrascaria resgatar a cultura boêmia que não existe mais. Gafieira Show - Muito tradicional no Rio de Janeiro na década de 30, a gafieira (show) é uma das misturas que saiu do samba, porém diferentemente dessa manifestação popular, a gafieira tem um código de ética, onde predomina a elegância e o respeito. A coreografia da gafieira (show) é baseada na dança de salão, porém um pouco menos regrada, já que possui o molejo e a malandragem do samba do início do século passado (samba de gafieira). Hoje em shows folclóricos brasileiros este quadro é indispensável pois ele retrata a boemia e magia do Rio Antigo Dança popular e gênero musical derivado de ritmos e melodias de raízes africanas, como o Lundu e o Batuque. A coreografia é acompanhada de música em compasso binário e ritmo sincopado. Tradicionalmente, é tocado por cordas (cavaquinho e vários tipos de violão) e variados instrumentos de percussão. Por influência das orquestras americanas em voga a partir da segunda guerra mundial, passaram a ser utilizados também instrumentos como trombones e trompetes, e, por influência do Choro, flauta e clarineta. Apesar de mais conhecido atualmente como expressão musical urbana carioca, o samba existe em todo o Brasil sob a forma de diversos ritmos e danças populares regionais que se originaram do Batuque. Manifesta-se especialmente no Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Como gênero musical urbano, o Samba nasceu e desenvolveu-se no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX. Em sua origem uma forma de dança, acompanhada de pequenas frases melódicas e refrões de criação anônima, foi divulgado pelos negros que migraram da Bahia na segunda metade do século XIX e instalaram-se nos bairros cariocas da Saúde e da Gamboa. A dança incorporou outros gêneros cultivados na cidade, como Polca, Maxixe, Lundu, Xote etc., e originou o samba carioca urbano e carnavalesco. Surgiu nessa época o Partido Alto, expressão coloquial que designava alta qualidade e conhecimento especial, cultivado apenas por antigos conhecedores das formas antigas do samba. Em 1917 foi gravado em disco o primeiro Samba, Pelo telefone, de autoria reivindicada por Donga (Ernesto dos Santos). A propriedade musical gerou brigas e disputas, pois habitualmente a composição se fazia por um processo coletivo e anônimo. Pelo telefone, por exemplo, teria sido criado numa roda de partido alto, da qual participavam também Mauro de Almeida, Sinhô e outros. A comercialização fez com que um samba passasse a pertencer a quem o registrasse primeiro. O novo ritmo firmou-se no mercado fonográfico e, a partir da inauguração do rádio em 1922, chegou às casas da classe média. Os grandes compositores do período inicial foram Sinhô (José Barbosa da Silva), Caninha (José Luís Morais), Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana) e João da Baiana (João Machado Guedes).
Variações surgiram no final da década de 1920 e começo da década de 1930: o Samba-Enredo, criado sobre um tema histórico ou outro previamente escolhido pelos dirigentes da escola para servir de enredo ao desfile no carnaval; o Samba-Choro, de maior complexidade melódica e harmônica, derivado do choro instrumental; e o Samba-Canção, de melodia elaborada, temática sentimental e andamento lento, que teve como primeiro grande sucesso Ai, ioiô, de Henrique Vogeler, Marques Porto e Luís Peixoto, gravado em 1929 pela cantora Araci Cortes. Também nessa fase nasceu o samba dos blocos carnavalescos dos bairros do Estácio e Osvaldo Cruz, e dos morros da Mangueira, Salgueiro e São Carlos, com inovações rítmicas que ainda perduram. Nessa transição, ligada ao surgimento das escolas de samba, destacaram-se os compositores Ismael Silva, Nilton Bastos, Cartola (Angenor de Oliveira) e Heitor dos Prazeres. Em 1933, este último lançou o samba Eu choro e o termo "breque" (do inglês break, então popularizado com referência ao freio instantâneo dos novos automóveis), que designava uma parada brusca durante a música para que o cantor fizesse uma intervenção falada. O Samba-de-Breque atingiu toda sua força cômica nas interpretações de Moreira da Silva, cantor ainda ativo na década de 1990, que imortalizou a figura maliciosa do sambista malandro. O Samba-Canção, também conhecido como samba de meio do ano, conheceu o apogeu nas décadas de 1930 e 1940. Seus mais famosos compositores foram Noel Rosa, Ari Barroso, Lamartine Babo, Braguinha (João de Barro) e Ataulfo Alves. Aquarela do Brasil, de Ari Barroso, gravada por Francisco Alves em 1939, foi o primeiro sucesso do gênero Samba-Exaltação, de melodia extensa e versos patrióticos. A partir de meados da década de 1940 e ao longo da década de 1950, o samba sofreu nova influência de ritmos latinos e americanos: surgiu o Samba de Gafieira, mais propriamente uma forma de tocar -- geralmente instrumental, influenciada pelas orquestras americanas, adequada para danças aos pares praticadas em salões públicos, gafieiras e cabarés -- do que um novo gênero. Em meados da década de 1950, os músicos dessas orquestras profissionais incorporaram elementos da música americana e criaram o Sambalanço. O partido alto ressurgiu entre os compositores das escolas de samba dos morros cariocas, já não mais ligado à dança, mas sob a forma de improvisações cantadas feitas individualmente, alternadas com estribilhos conhecidos cantados pela assistência. Destacaram-se os compositores João de Barro, Dorival Caymmi, Lúcio Alves, Ataulfo Alves, Herivelto Martins, Wilson Batista e Geraldo Pereira. Com a Bossa Nova, que surgiu no final da década de 1950, o samba afastou-se ainda mais de suas raízes populares. A influência do Jazz aprofundou-se e foram incorporadas técnicas musicais eruditas. O movimento, que nasceu na zona sul do Rio de Janeiro, modificou a acentuação rítmica original e inaugurou um estilo diferente de cantar, intimista e suave. A partir de um festival no Carnegie Hall de Nova York, em 1962, a bossa nova alcançou sucesso mundial. O retorno à batida tradicional do samba ocorreu no final da década de 1960 e ao longo da década de 1970 e foi brilhantemente defendido por Chico Buarque de Holanda, Billy Blanco e Paulinho da Viola e pelos veteranos Zé Kéti, Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia e Martinho da Vila. Na década de 1980, o Samba consolidou sua posição no mercado fonográfico e compositores urbanos da nova geração ousaram novas combinações, como o paulista Itamar Assunção, que incorporou a batida do Samba ao Funk e ao Reggae em seu trabalho de cunho experimental. O Pagode, que apresenta características do Choro e um andamento de fácil execução para os dançarinos, encheu os salões e tornou-se um fenômeno comercial na década de 1990. Os Registros Oficiais do Samba
Origem da palavra samba => semba => umbigada (dialeto luanda)
Os primeiros registros da palavra apareceram no nordeste em um texto impresso no começo do século XIX por um padre chamado Lopes Gama. A primeira música : Oficialmente foi em 1917 com a gravação de Pelo Telefone da dupla Donga/Mauro de Almeida. Alguns analisam que essa música possui características fortes que lembram muito o ritmo maxixe e, que portanto, não é samba. Há outras versões que dizem existir outras gravações de samba que datam entre 1912 e 1914.
Samba-Enredo Surge no Rio de Janeiro durante a década de 1930. O tema está ligado ao assunto que a escola de samba escolhe para o ano do desfile. Geralmente segue temas sociais ou culturais. Ele que define toda a coreografia e cenografia utilizada no desfile da escola de samba.
Samba de Partido Alto Com letras improvisadas, falam sobre a realidade dos morros e das regiões mais carentes. é o estilo dos grandes mestres do samba. Os compositores de partido alto mais conhecidos são: Moreira da Silva, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho.
Pagode Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, na década de 1970 e ganhou as rádios e pistas de dança na década seguinte. Tem um ritmo repetitivo e utiliza instrumentos de percussão e sons eletrônicos. Espalhou-se rapidamente pelo Brasil, graças às letras simples e românticas. Os principais grupos são : Fundo de Quintal, Negritude Jr., Só Pra Contrariar, Raça Negra, Katinguelê, Patrulha do Samba, Pique Novo, Travessos, Art Popular.
Samba-Canção Surge na década de 1920, com ritmos lentos e letras sentimentais e românticas. Exemplo: Ai, Ioiô (1929), de Luís Peixoto.
Samba Carnavalesco Marchinhas e Sambas feitas para dançar e cantar nos bailes carnavalescos exemplos : Abre alas, Apaga a vela, Aurora, Balancê, Cabeleira do Zezé, Bandeira Branca, Chiquita Bacana, Colombina, Cidade Maravilhosa entre outras.
Samba-Exaltação Com letras patrióticas e ressaltando as maravilhas do Brasil, com acompanhamento de orquestra. Exemplo: Aquarela do Brasil, de Ary Barroso gravada em 1939 por Francisco Alves.
Samba de Breque Este estilo tem momentos de paradas rápidas, onde o cantor pode incluir comentários, muitos deles em tom crítico ou humorístico. Um dos mestres deste estilo é Moreira da Silva .
Samba de Gafieira Foi criado na década de 1940 e tem acompanhamento de orquestra. Rápido e muito forte na parte instrumental, é muito usado nas danças de salão.
SamBalanço Surgiu nos anos 50 (década de 1950) em boates de São Paulo e Rio de Janeiro. Recebeu uma grande influência do jazz.. Um dos mais significativos representantes do sambalanço é Jorge Ben Jor, que mistura também elementos de outros estilos.
Samba Rock "Quando eu inventei essa batida, chamava de sacundin sacunden, depois, na época da jovem guarda, virou jovem samba, e, mais tarde, sambalanço", disse certa vez Jorge Ben Jor, ao explicar as origens daquilo que ficaria conhecido, a partir dos anos 70, como suíngue ou samba-rock (termo que, aliás, ele não endossa). O fato é que, inspirados por sua batida peculiaríssima, uma série de artistas passou a adaptar o samba, que era tradicionalmente tocado em compasso binário (2/4), ao compasso quaternário (4/4) do rock e da soul music. Ao mesmo tempo, eles se apropriaram dos instrumentos elétricos das bandas da jovem guarda para tocar o velho balanço em novo estilo. Jorge Ben Jor, novamente, teve a primazia nesse campo, fazendo-se acompanhar dos Fevers em seu disco de 1967, O Bidu - Silêncio no Brooklin. De quebra, ainda forneceu repertório para as bandas de rock que se aventuraram pelo samba, como é o caso dos Mutantes (em A Minha Menina, no seu disco de estréia) e os Incríveis (em Vendedor de Bananas). Ainda no fim dos anos 60 outros exemplos de como o samba poderia caber na moldura rítmica do rock-soul: a Pilatragem de Carlos Imperial e Wilson Simonal (que fez de País Tropical, de Jorge Ben Jor, um de seus cavalos de batalha) e a farra orquestral do maestro Erlon Chaves (que concorreu em 1970, no V Festival Internacional da Canção, da Rede Globo, cantando Eu Quero Mocotó, também de Jorge, acompanhado por sua Banda Veneno). Nos anos 70, a voz potente de Tim Maia popularizaria o samba-soul, emplacando dois sucessos nesse estilo: Réu Confesso e Gostava Tanto de Você. Jorge Ben Jor teve uma queda para o funk a partir do disco A Banda do Zé Pretinho (1978), mas artistas por ele diretamente influenciados seguiram a sua orientação anterior, com muito sucesso em bailes do subúrbio carioca. é o caso de Bebeto (O Negócio é Você Menina, Flamengo) e de Serginho Meriti. Em São Paulo, os bailes de periferia também ferviam ao som do samba-rock-suíngue, de nomes como o Trio Mocotó (que originalmente acompanhava Jorge Ben Jor), Copa 7, Luiz Vagner (que foi do grupo de jovem guarda Os Brasas, homenageado por Ben Jor com a música Luiz Vagner Guitarreiro), Branca Di Neve (falecido em 1989), Carlos Dafé, Dhema, Franco (também ex-Os Brasas), Abílio Manoel e Hélio Matheus.
Revelada no começo dos anos 80, a diva do soul brasileiro, Sandra de Sá, teve um flerte com a cena do suíngue com as músicas Olhos Coloridos e Enredo do Meu Samba (de Jorge Aragão e Dona Ivone Lara, que por sinal teria um sucesso de samba-rock em dueto com Jorge Ben Jor, Sorriso Negro, de Adilson Barbado e Jorge Portela). Restrito aos bailes, o samba-rock pouco avançou em termos de reconhecimento nos anos 80, exceto pela reconexão de samba e rock ensaiada pelo roqueiro Lobão em sua parceria com o sambista Ivo Meirelles (que, mais tarde, daria origem ao projeto Funk'n'Lata de Ivo) e pela homenagem feita por Lulu Santos no disco Popsambalanço e Outras Levadas, de 1989. No fim dos anos 80, o circuito paulistano do samba se encarregaria de recauchutar a idéia sambalanço em um formato mais pop. Instrumentos eletrônicos de um lado, os velhos cavaquinhos, surdo, pandeiro e tantan de outro, surgiam nomes de grande sucesso como Raça Negra, Eliana de Lima e Negritude Júnior. Inicialmente voltados para um diluição das raízes do samba em música pop de gosto duvidoso, esses artistas acabaram por dar origem a um termo pejorativo, o pagode paulistano, também conhecido como samba mauriçola (por causa da insistência dos integrantes dos grupos em usar blasers, calças sociais e cordões de ouro). Alguns deles, porém, chegaram a retomar as referências do samba-rock, como é o caso do Art Popular (na música Agamamou) e o Molejo ( Samba Rock do Molejão). Na periferia de São Paulo, ao longo dos anos 90, os bailes continuavam tocando as velhas músicas, que apareciam aqui e ali em coletâneas piratas vendidas em lojas do centro da cidade. Enquanto isso, uma banda da periferia recriava o samba-rock, com fartas e equilibradas doses dos dois ingredientes: os Virgulóides, que estouraram em 1997 com a música Bagulho no Bumba, um poderoso cruzamento de guitarras, cavaquinho e batuques. Influências do Samba, Segundo Mário de Andrade
Samba: Bailarino Popular - Dança de Salão, aos pares, com acompanhamento de canto, em compasso 2/4 e ritmo sincopado - Dança de roda.
Lundu: Canto e dança populares no Brasil durante o séc. XVIII, introduzidos provavelmente pelos escravos de Angola.
Maxixe: Dança e canto populares em voga no Brasil a partir do século passado. Fusão da habanera, pela ritmica, e da polca, pela andadura, com adaptação da síncopa afro-lucitana.
Modinha: Canto de salão, urbano, conhecido Brasil e Portugal.
Choro: Conjunto musical livre, de função puramente musical, composto de pequeno grupo de instrumentos solistas, exercendo o resto do conjunto uma função acompanhante, antipolifônico, de caráter puramente ritmico-harmônico.
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Alfredo da Rocha Vianna, (O Pixinguinha) Nascido no Rio, em 1898, era chamado pela avó de Pizindim e pela molecada de Bexiguinha (este por conta das marcas que a varíola deixara em seu rosto). Da fusão dos dois apelidos surgiu Pixinguinha, um dos maiores compositores e instrumentista da MPB. Entre vários clássicos, é autor de Carinhoso. Morreu em 1973. |
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José Barbosa da Silva, (O Sinhô) Nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro em 1888, ano da abolição da escravatura. Foi um dos principais divulgadores do novo gênero, ajudando a consolidá-lo junto a emergente massa urbana. Recebeu por isso o titulo de rei do samba. Morreu em 1930, aos 42 anos. |
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Ernesto dos Santos, (O Donga) Carioca, nascido em 1891. Frequentador da roda de baianos da casa da Tia Ciata, reuniu sob o nome de samba um arranjo de motivos populares e registrou como Pelo Telefone. Em seus últimos dias, aposentado como funcionário da Justiça, doente e quase cego, morava em subúrbio do Rio. Morreu em 1974. |
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João Machado Guedes, (O João da Baiana) Filho da Baiana Perciliana de Santo Amaro (o que lhe rendeu o apelido), o carioca João veio ao mundo em 1887. Ele e Donga, dentre os nomes daquela época, tiveram grande longevidade, seguindo como representantes do samba até a década de 70. Quando morreu, em 1974 (mesmo ano que o companheiro), estava recolhido a Casa dos Artistas, em Jacarepaguá-RJ. |
CHIQUINHA GONZAGA - A Primeira mulher a se destacar como compositora na história da música popular brasileira, começou a compor canções e valsas na adolescência. Teve uma vida atribulada, separando-se do marido e conquistando sua independência numa época em que isso causava escândalo na sociedade brasileira. Foi professora de piano e frequentava rodas de choro, tocando em festas e bailes com outros chorões. Seu primeiro sucesso foi a polca "Atraente", de 1877. Fez também música para teatro, apesar da resistência que tinha de vencer por ser mulher. Atuou algumas vezes como maestrina, regendo orquestras e bandas. Politizada, participou ativamente das campanhas abolicionista e republicana na década de 1880. Nos primeiros anos do século XX viajou pela Europa apresentando suas músicas. Na volta ao Brasil musicou peças e compôs operetas. Seus maiores sucessos são a marcha carnavalesca "ô Abre Alas", que compôs para o cordão Rosa de Ouro, e o tango estilizado "Gaúcho", também conhecido como "Corta-jaca", por ser esse o nome do estilo musical. Em 1999 a TV Globo produziu a minissérie "Chiquinha Gonzaga", de enorme êxito, sobre a vida da compositora, promovendo um boom de regravações, lançamentos de discos e biografias.
ARI BARROSO - O Ari Barroso nasceu Ari Evangelista Barroso, mas nunca se conformou. Logo no início da carreira, no teatro de revista, em 1929, tratou de corrigir o que considerava um erro. "Esse Evangelista nunca deu certo", matutava ele. Apresentado pelo amigo e parceiro Marques Porto a um especialista em numerologia, passou a assinar apenas Ari Barroso. é provável que tenha sido o primeiro personagem da música popular brasileira a adotar o nome recomendado por um numerólogo, como viria a ocorrer com tantos artistas a partir da década de 80, como Baby do Brasil (ex-Baby Consuelo) e Jorge Benjor (ex-Jorge Ben). Muito mais do que a numerologia, certamente foi o imenso talento que o transformou no compositor brasileiro mais conhecido internacionalmente, antes de Tom Jobim gravar Garota de Ipanema. Aquarela do Brasil, que inaugurou o estilo samba-exaltação, gravado pela primeira vez por Francisco Alves, em 1939, fez com que Ari se transformasse em compositor e arranjador de filmes de Hollywood, com Carmen Miranda, uma de suas principais interprétes e também grande amiga, com quem Ari cultivava o hábito de passear pelas ruas do Rio. Ambos abriram a porta do mercado americano, por onde entrou 20 anos depois a bossa nova. Inovação - Ari compôs Aquarela do Brasil numa tarde chuvosa. Estava pensativo, de repente levantou-se, foi até o piano e avisou: "Vou fazer um samba cheio de inovações." Conseguiu transportar para o piano a batida de um tamborim e, em meia hora, estava criada a obra-prima que ganhou centenas de gravações no País e no Exterior.
ADONIRAM BARBOSA - Ele achava que João Rubinato não era nome de cantor de samba. Resolveu mudar. De um amigo pegou emprestado Adoniran e, em homenagem ao sambista Luiz Barbosa, adotou seu sobrenome. Foi assim que Adoniran Barbosa tornou-se um dos maiores nomes do cancioneiro popular brasileiro e uma das mais importantes vozes da população ítalo-paulistana. Adoniran nasceu na cidade de Valinhos, interior de São Paulo, a 6 de agosto de 1910. Filho de imigrantes italianos, abandonou os estudos ainda no primário para trabalhar. Foi tecelão, balconista, pintor de paredes e até garçom. No começo da década de 30, passou a frequentar os programas de calouros da rádio Cruzeiro do Sul de São Paulo. Em 1933, depois de ser desclassificado inúmeras vezes devido à sua voz fanha, Adoniran conquistou o primeiro lugar no programa de Jorge Amaral cantando "Filosofia" de Noel Rosa. Em 1935, compôs, em parceria com o maestro e compositor J. Aimberê, sua primeira música "Dona Boa", eleita a melhor marcha do Carnaval de São Paulo naquele ano. Na rádio Cruzeiro do Sul ficou até 1940, transferindo-se, em 1941, para a rádio Record, a convite de Otávio Gabus Mendes. Ali começou sua carreira de ator participando de uma série de radioteatro intitulada "Serões Domingueiros". Essa foi a oportunidade para Adoniran começar a criar sua galeria de personagens, sempre cômicos, como o malandro Zé Cunversa ou Jean Rubinet, um galã de cinema francês. O linguajar popular de seus personagens encontrava par em suas composições. A maneira de compor sem se preocupar com a grafia correta tornou-se sua maior característica e lhe rendeu críticas de gente como o poeta e compositor Vinícius de Moraes. Adoniran não deu importância às declarações de Vinícius, tanto que musicou uma poesia do escritor carioca transformando-a na valsa "Bom Dia, Tristeza".
BRAGUINHA - João de Barro (Carlos Alberto Ferreira Braga), compositor, cineasta, dublador e cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ (29/3/1907). Filho de um gerente da Fábrica de Tecidos Confiança, do bairro de Vila Isabel, Braguinha, como era chamado, cantava desde criança, acompanhado ao piano pela avó. Fez seus primeiros estudos em escola pública, de onde foi para o Colégio Santo Inácio, de padres jesuítas, e depois para o Colégio Batista, ali formando com os colegas um conjunto musical, o Flor do Tempo, inicialmente integrado por Violão (Henrique Brito), Alvinho (álvaro Miranda Ribeiro) e mais dois colegas, sendo depois incluído Almirante (Henrique Foréis), que então era pandeirista e também morava em Vila Isabel. Com Henrique Brito, começou a aprender violão, instrumento que logo deixou. O conjunto Flor do Tempo passou a atuar em festas familiares e a realizar shows obtendo sucesso. Ao se profissionalizar, o grupo alterou sua formação e nome, surgindo o Bando de Tangarás, ao qual aderiu outro morador de Vila Isabel, o jovem Noel Rosa. Para a primeira gravação do Bando, Braguinha adotou o pseudônimo de João de Barro, com o qual se tornaria conhecido. Após realizar várias gravações com o grupo, estreou em disco como solista em 1931, interpretando duas composições de Lamartine Babo, Cor de prata e Minha cabrocha. Logo depois, desistiu da carreira de cantor, já tendo estreado como compositor, com Dona Antonha, gravada por Almirante para o Carnaval de 1930, pela Parlophon. Compunha assobiando a melodia, uma vez que não estudou música.